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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

2011 PODE MUDAR O JEITO DE VER O UNIVERSO


Muitas notícias deste final de ano nos dão a certeza de que finalmente dispomos de meios para começar a desvendar os maiores mistérios da vida. (21/09/100.Um tipo de conexão nunca antes observada entre partículas subatômicas pode ter sido detectada pelos cientistas responsáveis pelo experimento CMS, um dos detectores que fazem parte do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo. (20/10/10)  Cientistas do CERN esperam revelar dimensões ocultas em 2011. Físicos que sondam as origens do Universo esperam, no próximo ano, conseguir as primeiras provas a respeito da existência ou não de coisas como Universos paralelos e dimensões ocultas. À medida que o Grande Colisor de Hádrons (LHC) intensifica suas atividades, eles falam com cada vez mais entusiasmo da "nova física" que pode estar no horizonte e que tem o potencial de mudar as idéias correntes sobre a natureza e o funcionamento do Universo.(08/11/10) LHC começa a criar miniaturas dos primeiros instantes do Universo.(15/11/10) Cientistas buscam provar existência de novas dimensões em 2011. Cientistas que operam a "máquina do Big Bang" dizem que suas experiências estão transcorrendo além das expectativas, e que prevêem obter no ano que vem provas da existência de outras dimensões além daquelas às quais estamos acostumados.
Analisando os resultados de quase oito meses de experiências no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), que é a maior máquina do mundo, os cientistas do Cern (Organização Européia para a Pesquisa Nuclear) disseram também que poderão determinar até o final de 2011 se a misteriosa partícula chamada bóson de Higgs realmente existe ou não. Essa partícula nunca foi localizada, mas acredita-se que ela forneça a "cola" que dá massa à matéria.
Guido Tonelli, porta-voz de uma das equipes ligadas ao LHC, disse que a investigação sobre as dimensões adicionais - além da altura, largura, comprimento e tempo - se tornará mais fácil conforme aumentar a energia resultante das colisões de prótons dentro do túnel circular de 27 quilômetros sob a fronteira franco-suíça.
Outros físicos do Cern dizem que o êxito até agora sugere que alguns grandes enigmas do universo podem ser ao menos parcialmente resolvidos antes do que se previa.
Mas a noticia que me levou a escrever esta matéria veio no dia (06/12/10). O Laboratório Europeu de Física de Partículas (Cern) deu um novo e grande passo no desenvolvimento de técnicas que permitam comparar a matéria e a antimatéria e, com isso, revelar alguns dos segredos mais bem guardados do Universo. Desta vez, o experimento revolucionário foi o Asacusa, que desenvolveu uma técnica inovadora para estudar a antimatéria, graças a uma armadilha magnética de partículas que conseguiu produzir uma quantidade significativa de átomos de anti-hidrogênio em voo. A idéia é produzir o máximo número possível de átomos de anti-hidrogênio e mantê-los separados da matéria o maior tempo possível para poder estudá-los. A antimatéria, ou a inexistência dela, é uma das grandes incógnitas do universo, dado que, no momento do Big Bang, a matéria e a antimatéria se produziram da mesma forma. No mundo atual, a antimatéria parece ter desaparecido, e um dos desafios dos cientistas é conseguir entender o que ocorreu há 14 bilhões de anos, no momento da criação do mundo. Os pesquisadores pretendem comparar a matéria e a antimatéria para determinar se existe alguma pequena diferença entre elas, e se isso é o causador do suposto desaparecimento da antimatéria.
Na minha modesta opinião aqui, reside a fronteira entre o tudo e o nada. Se a antimatéria nasce no exato momento da criação da matéria e depois desaparece, deve haver uma razão para isso e seu desaparecimento não significa necessariamente que tenha deixado de existir.  Quando avançarmos o suficiente para dar de cara com as tais dimensões ocultas? Ou apenas ignoradas? Iremos descobrir onde se esconde o tal bóson de Higgs e saber porque o gráviton nunca pode ser detectado. Acho que não se precisa ser nenhum gênio para suspeitar que o nosso velho Universo não é constituído de apenas matéria fria e finita. Ao detectarmos ou começarmos a compreender essas 7 dimensões que faltam, iremos ter todas as explicações que buscamos sobre a vida e seus mistérios. Muitos dos fenômenos inexplicáveis até agora, o são por desconhecimento de sua natureza. Para onde iria um Universo inteiro composto de antimatéria se não para outra dimensão? Isto porque matéria e antimatéria não podem coexistir porque se anulariam. Me parece óbvio que  ao detectarmos essas dimensões e ou Universos paralelos suspeitados, encontraremos explicações claras sobre  tudo o que hoje se credita ao mistério, o sobrenatural ou  a simples vontade de Deus. Levamos milhares de anos tentando explicações, as mais mirabolantes possíveis para descrever o que não conseguimos compreender. Sempre que deparamos com algo inexplicável, atribuímos imediatamente à vontade de um Deus. Desde que soube que finalmente pudemos provar a existência da antimatéria comecei a suspeitar de que estávamos diante do maior achado da humanidade. A luz no fim do túnel pode explicar tudo. Já publiquei vários artigos e crônicas sobre o assunto e recebi inevitáveis criticas de religiosos defensores de suas crenças. Mas recebi também estímulos de pessoas esclarecidas e pesquisadores como eu próprio que acreditam que nem tudo é o que parece. Nem a morte fria e finita com a extinção da consciência ou a misteriosa vida eterna em comunhão com anjos de asas brancas. Apenas a possibilidade uma vida em outra dimensão antimaterial, mas tão natural como a nossa existência enquanto matéria. Não sei se viverei para ver minhas suspeitas confirmadas, mas deixarei por escrito o que penso. Chegará um dia em que nos comunicaremos com outras dimensões, outros Universos e quiçá com os que já se foram, sem contudo precisarmos de um médium. Talvez possamos até interagir com o nosso próprio renascimento em um Universo paralelo. Reencarnação? Sim! Esta faz sentido. Mesmo a tão sonhada invisibilidade pode ser possível, basta pular para uma dimensão ou Universo paralelo. Acham que estou sonhando? Talvez, mas por via das dúvidas guardem este texto. Tenho certeza de que não será preciso guardá-lo por muito tempo.


Lauro Winck


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL

À todos que me acompanharam nesta jornada. Que me aplaudiram ou criticaram, Mais um ano termina e os sonhos renascem. Deixo com vocês um poema escrito em uma hora de profundo descontentamento com os rumos que a humanidade vem tomando nos últimos anos. Mas, quem sabe 2011 possa trazer vida nova, esperança, novas estrelas ou quem sabe esperança de vida no rosto de um bebê. Quem sabe seja hora de uma nova estrela de Belém? de um novo Messias? Onde o amor ao próximo não seja apenas uma frase de enfeite às pregações religiosas e a palavra igualdade não seja penas bandeira política enfeitando comícios, Onde o amor finalmente prevaleça sobre o ódio, as guerras e a usurpação dos poderosos, Enfim, um mundo para todos e não para privilegiados.

Eu não sabia que sonhava.
Apenas que caminhava.
Por mundo diferente.
Sem moeda.
Apenas o prazer.
De se fazer o que se faz.
Por migalha.
Compartilhar o trabalho.
Compartilhar o amor.
Por prazer.
Ter tudo o que se tem.
Sem dinheiro.
Sem salário.
Apenas o santuário.
Da vida em comunhão.
Sem assalto.
Sem ladrão.
Sem governo.
Sem política.
Sem morte por moeda.
Sem racismo.
Sem drogas.
Sem cataclismo.
A vida sem estatística.
Apenas o prazer.
De viver por altruísmo.
De ver a vida acontecendo
Em maravilhosa contemplação.
Hora de acordar?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ALERTA AOS MEUS CONTATOS DE E-MAIL OU COMUNIDADES

A imagem acima, reproduz informações de alerta do Gmail, informando atividade na minha conta de e-mail desde a China. Pesso que por favor me comuniquem qualquer mensagem suspeita e não abram e-mails em meu nome que contenham anexos não solicitados. Antecipadamente grato.
Lauro Winck

MEUS LIVROS EM PDF E-BOOKS


Os livros eletrônicos atualmente vendem muito mais que livros de papel. Porque são mais baratos, não sofrem a ação do tempo e são mais fáceis de ler. Pensando nisso resolvi apostar, partindo para edições eletrônicas de 7 títulos que estão prontos. Com isso elimino o tempo que decorre entre cada edição convencional. Você solicita por e-mail e els são enviados em arquivos zipados anexo ao e-mail. Os valores combinados deverão ser depositados em conta. Os arquivos serão enviados logo após o recebimento do depósito. lauro.winck@gmail.com 
VEJA DETALHES:
FICÇÃO CIENTÍFICA
Márcio Santana, pobre e doente aos 70 anos vivendo em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Sente-se mal ao ir dormir e morre. Sua alma toma conta do corpo de Arnold Scotch um piloto de fórmula 1. Ele não tem outra saída senão adotar a nova identidade e acaba se apaixonando pela noiva do piloto. Mas o fenômeno ocorrido cria uma nova realidade paralela onde os papeis se invertem, isto é, o velho americano naturalizado Arnold Scotch, morre na mesma cidade e toma conta do corpo do piloto Márcio Santana. Isto causa turbulências entre os universos que se misturam por breves momentos. A partir do segundo capítulo a história começa a ser narrada do ponto de vista do universo paralelo. Tentando encontrar respostas, para os fenômenos ocorridos, Márcio e Kelly envolvem-se com um cientista e depois com extraterrestres passando a viver uma seqüência incrível de acontecimentos que mudarão os destinos da Terra. Os dois passam a viver entre galáxias e planetas diferentes e conhecem inteligências superiores que os tornam muito especiais. Este “primeiro livro faz parte da Trilogia que terá continuação em “2040” e posteriormente em” “DEUSES E DEMÔNIOS”.
Segundo livro da trilogia
A nova geração assume quando Rogério Wilians Santana, comanda uma nave patrulha da Aliança Interplanetária que une os três planetas irmãos, Xkarpa Nova Terra e Anul. Graças à ajuda dos Xkarpanos a população da Terra se instala em Nova Terra para fugir da ameaça de uma nova era glacial que se aproxima. A expectativa de vida dos terráqueos aumenta consideravelmente.
 Kelly Morre vítima de um mal súbito e Rogério passa a receber visitas de sua mãe morta. Conhece Adan 7 um extra terrestre com poderes que não podem ser compreendidos e Rogério é convidado a comandar uma super nave da Federação Intergaláctica liderada por Adan 7. Isto muda a sua vida completamente e aventuras incríveis passam a fazer parte dela. Casa-se com Maiha com quem seu pai teve um filho, mas ao salvar um planeta da destruição, ganha do rei uma nova esposa de presente.  Terá agora que conviver com duas esposas. Adan 7 prepara novas e inesperadas surpresas que o colocarão no patamar de um semi-deus. Milagres tecnológicos e poderes mentais superiores mudam o modo como as pessoas vêem a vida. Uma ameaça mortal pode destruir a vida na terra e Rogério terá que voltar ao passado.
Terceiro livro da trilogia


DEUSES E DEMÔNIOS encerra a trilogia iniciada em “UNIVERSOS PARALELOS” que teve continuidade com o lançamento de “2040”, o segundo livro da trilogia.
Quando iniciei o primeiro conto, “ Minha Nova vida com Kelly” nem imaginava que pudesse virar um livro, quanto mais acabar em uma trilogia que culmina com este. A pré-leitura destes contos e os comentários recebidos de meus colegas no Overmundo, posteriormente no Recanto das Letras, me incentivaram e me deram a certeza de que eu tinha em mãos um tema rico em conteúdo que nos leva a imaginar a vida em outros mundos e sonhar com um futuro mais humano e justo para a humanidade. Não sei se um dia faremos realmente contato com outros seres extraterrestres de outras galáxias que eu imagino como seres evoluídos, humanos como nós ou talvez mais. E não como monstros assassinos e dominadores. Claro que entre eles certamente haverão semi-deuses e demônios como imagino neste livro. Costumo ao escrever um conto, sempre deixar uma porta aberta para uma continuação. Foi o que aconteceu com esta trilogia que na verdade é uma seqüência de contos cujo tema foi desenvolvendo a cada capítulo. Espero que gostem.





QUINTA DIMENSÃO- A morada da alma. Analiso neste livro, os aspectos fundamentais da história humana, os segredos e mistérios que envolvem o planeta, os avanços da ciência e enfim formulo minha própria teoria. Talvez você me julgue presunçoso, mas qualquer um pode pensar e analisar qualquer coisa, segundo seu próprio conceito. Isso nada tem a ver com sua fé, posto que a fé tenha seu valor aceito inclusive pela ciência, não importando em que você acredite. Contanto que tenha fé. Procuro aqui, eliminar o sobrenatural e buscar uma resposta lógica baseada nos mistérios da própria matéria. A descoberta de que podemos finalmente produzir antimatéria e conhecer sua natureza, aproxima-nos de um novo limiar onde podemos especular uma nova teoria para entendermos Deus e a nossa própria existência. 
!7 Contos e crônicas, reune trabalhos publicados nos últimos anos no site Overmundo, em meus blogs e no Recanto das letras. Estão divididos em 3 livros contendo cada um 17 matérias. Veja abaixo as capas de 17 Contos II e III.





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O casal muda-se para uma casa no subúrbio da cidade. É uma casa comum de 4 cômodos o suficiente para ele e a esposa. André é jornalista e tem um emprego em um jornal alternativo, mas ganha pouco. Nair está fazendo faculdade de medicina e nas horas vagas ajuda fazendo  flores artesanais que negocia em uma cooperativa do bairro. O casal decidiu não ter filhos até que Nair termine seus estudos. Ele luta na justiça para impedir a demolição de uma antiga igreja para construção de um condomínio de luxo. Seus antepassados haviam doado o terreno e boa parte do material para a construção. André não acredita muito que possa ganhar a ação contra um grupo poderoso.
Dias depois tentando concertar um vazamento d água no pátio, encontra um pequeno pote meio enterrado na grama. Uma peça trabalhada em madeira com aparência muito antiga. Curioso, abre a tampa e uma fumaça esverdeada se desprende exalando um cheiro esquisito. Ele reclama do cheiro e joga o objeto fora. Ao cair a tampa se abre e despeja um pó esverdeado e uma chave esquisita com 3 pontas que salta de dentro do objeto.  Ele examina a chave, fazendo cara feia com o cheiro do pó. Guarda a chave e comenta com a esposa.
– Chave esquisita! Nunca vi uma coisa assim.
– Parece bem antiga. Comenta Nair. – Guarde isto deve ser uma antiguidade.
Dias depois o casal dorme, depois de um dia estafante. Faz calor e o ventilador nem consegue dar conta do abafamento. André trabalhou até tarde em um novo artigo para o jornal e deita-se cansado o suficiente para ferrar no sono. Em determinado momento o celular toca. Ele atende e uma voz grave ordena.
– Ligue a televisão.
Ele pergunta.
– Quem fala! O telefone desliga.
Ele olha o relógio. São 0,10 h da madrugada. Levanta vai até a sala e liga o aparelho.
Está no ar um programa de notícias. A voz do âncora anuncia. “ Neste momento nossa equipe dirige-se para o local onde um grave acidente com um ônibus mata 17 pessoas”. “ Não se sabe ainda as causas e pode haver mais vítimas sob as ferragens.” Entra um repórter de campo. Mostrando o ônibus capotado e a polícia e bombeiros correndo pra todo lado. O canal logo sai do ar deixando apenas aquele chuvisqueiro típico. Ele desliga a tv e consulta no visor do celular. Ligação recebida. Fone: 00.00.00.00. Volta para a cama, coloca o celular sobre o criado mudo. A esposa acorda. Quer saber o que houve. Ele conta pra ela que fica com ar de dúvida.
– Espere, você já viu que horas são? Esta hora não há noticiário. Só filmes!
– Você tem razão, mas eu vi. A chamada está aqui no celular veja! Ela olha!
– Aqui não há nada, o último registro é da ligação que fiz pra você hoje à tarde. Vamos dormir. Você deve ter sonhado. Eu estava tão cansada que nem vi você levantar.
Dia seguinte os dois estão em uma lanchonete para um almoço já quase 1:00 h da tarde. Uma tv ligada acima do balcão apresenta o noticiário ainda do meio-dia quando o âncora começa a ler uma notícia de última hora. O texto é exatamente igual ao que ele havia visto na madrugada. Os dois se olham com os olhos arregalados.
 – Você está vendo? Pergunta ela.
 – Sim! Meu deus eu vi o acidente. Será que foi um sonho? Uma visão? Não sei.
 – Acho que foi uma premonição.
 – Mas eu nunca tive isso! Depois tem a história do celular.  Juro que uma voz me mandou ligar a tv.

Dias depois os dois chegam quase ao mesmo tempo. Já são 21:00 hs e estão bastante cansados.Tomam um banho e nem lembram mais o episódio. Comem um lanche rápido e vão dormir. 0:10 Toca o celular novamente. Ele atende! Novamente o número é apenas 00.00.00.00. A mesma voz fala.
– Ligue a tv.
Ele obedece e de novo pergunta quem é? O telefone como da vez anterior desliga. Ele liga a tv e desta vez como se estivesse correndo com uma câmera de vídeo, vê um pequeno avião Cesna batendo contra o solo, girando sobre si mesmo e pegando fogo. Ele tenta chegar ao avião, mas o calor é muito forte. Como havia ocorrido a imagem se desfaz e a estação sai novamente do ar. Ele volta para a cama. Sente a mão da esposa sobre seu ombro.
– Acorde você está tendo um pesadelo. O que está pegando fogo?
Ele olha assustado para ela. Não sabe ainda se o que viu foi real ou um sonho muito estranho.
– Começou de novo! O celular. O avião caindo. Conta para a esposa os detalhes da nova visão.
– Será que dá para impedir? Eu vi novamente! Vai acontecer! Preciso ir lá. É no Salgado Filho eu reconheci o lugar. É isto! Vou por o relógio pra despertar as 6:00. Na visão, era dia.
A esposa concorda e assim, 6:00 da manha ele toma o carro e vai para o aeroporto. Um acidente o atrasa porque a pista ficou interditada por mais de uma hora. Há um grande engarrafamento. Ele fica nervoso. Finalmente chega até o setor de aviões leves e corre para falar com um funcionário. Um avião Cesna prepara-se para decolar ao longe. Ele está preocupado. Espera o funcionário atender o telefone. Quando finalmente consegue ser atendido, fala quase sem tomar fôlego. 
– Pare aquele Cesna por favor! Ele grita. – Aquele avião vai cair.
O avião já esta decolando e o funcionário olha incrédulo para André, mas tenta contato pelo rádio.
– O Rádio está com problema informa o funcionário. Os dois correm para a rua no momento em que o Cesna começa voltar. Claramente ouve-se o barulho do motor falhando. Eles correm ao encontro do pequeno avião. Então ele vê horrorizado a cena se desenrolar tal como no sonho. Houve as sirenes dos bombeiros e equipes de socorro. Ele fica desolado. Senta-se ao chão com a cabeça entre as mãos.
– Não fui capaz de impedir! Repete. – Eu tentei! Droga! O que está acontecendo comigo? Porque eu? Porque tenho que prever e depois não posso fazer nada? Afinal será assim? Não podemos mudar uma visão?
Nos dias que se seguiram ele não consegue dormir. Acorda com sobre-saltos. Tem pesadelos em que as visões o atormentam.

Dias depois na mesma hora de sempre a voz no celular novamente.
            – Está na hora!
Ele nem pergunta nada corre para a tv. Então vê a cena como se estivesse chegando a estação do metrô. Há uma correria. Ele desse as escadas dois trens da Trensurb estão por se cruzarem e um deles descarrila . Chocam-se na entrada da estação. Ele corre tentando fazer algo. Funcionários correm para o local. Há gente morta e feridos por todo o lado. Ele então reconhece entre os mortos, seu colega da redação. O colega está morto na cena, ele precisa fazer algo. Acorda suando frio. Narra à esposa o novo sonho enquanto apressadamente veste-se procurando as chaves do carro.
– O que vai fazer? Pergunta ela.
– Preciso ir agora! Desta vez tem que funcionar. Preciso evitar, nem que tenha que parar todos os trens. Não sei se é de dia ou noite. Lá em baixo é tudo igual. Ele mal entra no carro e acelera com tudo. Vai direto para a estação Farrapos, a mais perto. No caminho liga para uma emissora de rádio.
– Me ajudem façam alguma coisa por favor! 
– Meu amigo o senhor está pedindo para que paremos os trens, porque teve um sonho? Está bem! Vu entrar em contato com os responsáveis e ver o que pode ser feito. Ouve a voz de alguém perguntado o que é?
– Um maluco quer para os trens porque teve um sonho.
Ele chega à estação. Estaciona como pode. Corre para o guichê mais próximo então houve o barulho de trens e o baque ensurdecedor de dois trens se chocando. Mais uma vez chega atrasado. Tudo igual. Reconhece o colega morto e fica mais arrasado. Não consegue entender o que está acontecendo.
– Não adianta! Não dá pra fazer nada. É inútil, sempre chego tarde. Nos dias seguintes ele se culpa pela impotência, quase não come. Barba por fazer. A esposa tenta reanimá-lo. Sem resultado.
– Puxa! Você não tem culpa, precisamos procurar ajuda, um psicólogo, um especialista, sei lá. Promete que vai fazer isso? Vou falar com a Sandra, ela conhece muitos médicos desta área.
Naquele dia ele não foi trabalhar. Ligaram da redação dando a boa notícia. O embargo à implosão da igreja estava na mão do juiz. Ele certamente daria ganho de causa e a implosão seria evitada. Não havia mais instâncias à recorrer.  Recebeu a notícia e desligou o telefone. Ao colocá-lo no gancho, a estranha chave que guardara, estava sobre a mesa. Ele tinha certeza de tê-la colocado na gaveta. Pela primeira vez ele desconfiou de algo.
– Será que esta chave? Tem a ver? Foi depois disso que começaram os sonhos. É uma chave antiga. Não pode ser. Estou vendo coisas. Colocou a chave no chaveiro do carro.

Dias depois recebeu a notícia de que a implosão havia sido embargada pelo Juiz. Estava duplamente feliz, porque já fazia uma semana que não tinha mais o tal pesadelo.
Lembrou de procurar no museu municipal alguém que pudesse dar-lhe uma explicação para a tal chave.
– É uma chave muito antiga. Note que está bastante desgastada. Olhe! A igreja na antiguidade mandou fazer chaves deste tipo para guardar peças ou pergaminhos importantes. Nunca havia visto uma destas. Guarde-a bem! É uma pequena relíquia.
Mas naquela noite, repetiu-se a visão. Só que desta vez via sua própria morte ao entrar em um banco durante um assalto. Um dos assaltantes lhe aponta uma arma e atira. Ele sente tudo escurecer, mas ainda vê o assaltante ser baleado pela polícia que entra no local. Acorda suando frio novamente e decide desta vez não falar nada à esposa. Ela dorme tranquilamente e ele fica horas pensando. Fuma vários cigarros. Agora é a sua vez. E se ele não fosse ao banco? È isso! Precisava sacar algum dinheiro, mas decidiu fazê-lo em uma agencia lotérica.
Saiu na manhã seguinte para o trabalho e resolveu passar antes na lotérica do bairro. Àquela hora deveria ter pouco movimento. Sacou o dinheiro e quando se dirigia à porta de saída. Aconteceu. O assaltante entrou atirando e ele foi baleado exatamente como havia visto no sonho. Viu ainda o assaltante ser baleado pela polícia. Como na visão.
Acordou no hospital com o peito enfaixado. Uma enfermeira media o seu pulso e sua esposa estava sentada em uma cadeira ao lado.
– Puxa! Eu escapei? Perguntou. A enfermeira retrucou.
– O senhor escapou, mas foi por pouco. Foi preciso uma cirurgia muito delicada para extrair a bala.
Virou-se para a esposa.
– Veja! Eu enganei a morte. Isto prova que é possível sim. É só uma questão de sorte.
Passaram-se mais uns dias e a vida transcorria normalmente. Ele pensava sobre tudo o que havia acontecido e imaginava um meio de precaver-se. Ouvira falar de um inglês que sonhava com os acontecimentos que se confirmavam e dormia com um bloco de anotações à mão para anotar e ligar para a polícia informando sobre o sonho.
Estava ainda recuperando-se do tiro que levara. Quando voltou a ter outra visão desta vez, a voz informou.
 – Está na hora! Esta é a última.
 Então ele viu na tela da tv. Dois homens, colocando alguma coisa sob um compartimento do altar e depois saindo sorrateiramente da velha igreja. Ligou para a polícia, mas desta vez foi incisivo.
– Colocaram uma bomba no altar da igreja.
O policial informou que iriam averiguar. Sua esposa acordou e ele se preparava para sair.
– Onde você vai?
Ele então contou para a esposa sobre o novo sonho. Desta vez ele não viu a explosão. Somente os homens saindo da igreja.
 – Vou fazer plantão lá até o dia amanhecer. Vai acontecer à noite. Ou Hoje ainda ou amanhã. Despediu-se da esposa e rumou para a igreja. Chegando lá, a policia já estava no local e havia localizado a bomba onde ele disse que estaria.  Depois que eles a desarmaram  ele foi conversar com o sacerdote que teve que vir abrir a porta para a polícia. A igreja estava em péssimo estado e o pároco esperava a decisão da justiça para iniciar os reparos.  A portinhola sob o altar do compartimento onde haviam colocado a bomba estava entreaberta e ele curioso quis saber  o que havia lá dentro.
– Um pequeno baú de madeira com alguma relíquia da igreja. Comentou o sacerdote.
– Mas, não temos a chave e não sabemos o que há lá dentro. Então ele lembrou a chave. Olhou a fechadura e para seu espanto tinha os três orifícios. Outro detalhe lhe chamou a atenção. Os entalhes na madeira da tampa do baú tinham um desenho estranho. 0-0-0-0-0-0-0-0. Lembravam os oito zeros de uma chamada telefônica com o número oculto. Pediu licença ao padre e abriu o baú com facilidade. Havia apenas um cálice bem antigo de madeira trabalhada. Uma peça rara.
– Nossa Senhora! É o Santo Grahal, ou apenas mais uma réplica. Comentou o sacerdote.
– Existem muitas delas espalhadas pelo mudo. Só o Santo Papa sabe onde está o verdadeiro. É a relíquia mais importante da igreja. Como conseguiu esta chave? Perguntou o sacerdote. Então ele contou ao padre tudo o que havia acontecido e como encontrara a chave.
– Padre! Mas porque eu fui submetido a todos estes acontecimentos que acabo de lhe narrar?
– Meu filho os desígnios de Deus são às vezes difíceis de serem compreendidos. Talvez ele quisesse antes, testar a sua coragem e a bravura com que você enfrentou a situação nunca desistindo de tentar impedir os acontecimentos.
Desta vez ele olhou no celular e estava lá. 00-00-00-00.

FIM

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O MAIS RÁPIDO JAGUAR DO MUNDO


Lauro Winck

Pois não é um animal nem um carro, é o computador mais rápido do mundo, capaz de fazer 400 trilhões de cálculos por segundo. Estará nos próximos dias, empenhado em vasculhar a rede a procura de pedófilos ou sites de pedofilia. Isso assusta! Não a causa para a qual estará trabalhando, quem nada deve, nada tem a temer. Mas isso prova que ninguém mais está a salvo de ter sua vida vasculhada e sua privacidade invadida, sem autorização. Neste exato momento nossas máquinas podem estar sendo varridas. Suspeita-se que existam ainda computadores mais rápidos que são mantidos em segredo por grandes organizações ou forças militares. O Google já está sendo vítima de processos devido a suas câmeras indiscretas que varrem o planeta. O livro de David Ike, “ O grande segredo” já alertava para o que ele considera uma agenda para escravizar o mundo em benefício de uma elite minoritária.  Nós há muito tempo, viramos números. Está faltando o código de barras na testa ou quem sabe as tornoseleiras eletrônicas, por enquanto privilégio de presidiários fujões. As câmeras estão espalhadas pelo mundo espiando-nos em cada esquina. O criador do  WikiLeaks, site especializado em publicar vazamento de segredos governamentais, Julian Assenge, está com prisão decretada, suposta mente por ter: feito sexo com mulher enquanto esta dormia. Será que dá pra fazer isso sem acordar a parceira? Bem o outro seria um caso de sexo forçado. Em ambos os casos, seria mulheres Suecas, tidas como máquinas sexuais. A verdade é que mesmo documentos guardados a sete chaves, não estão seguros. Claro que as enfurecidas vítimas dos vazamentos publicados, querem livrar-se do espião. Por isso, meu computador não guarda nada. O que uso para trabalhar nem está na rede. Uma notícia da Avast, fabricante de antivírus, informa que mas de 750.000 usuários do mundo todo usaram uma licença legal de um cliente americano, cujos funcionários vazaram a cópia. Como eles sabem disso, obviamente vasculhando os computadores, da mesma forma que os pedófilos e mal intencionados são vasculhados o tempo todo. Ou você pensa que aquela cópia pirata do seu Windows, já não está catalogada no site?
Isso prova que não estamos mais sós. Nossa privacidade? Só no meio do mato, sem luz elétrica e sem celular.



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O SEQÜESTRO DE LILI



Lauro Winck

           O Coronel Matihas, militar reformado, vivia em uma mansão da zona sul com sua filha Lili e alguns empregados.  Conservava ainda os hábitos adquiridos durante uma longa carreira militar e levantava muito sedo. Fazia um desjejum e acomodava-se em um confortável sofá de couro para ler os jornais matinais. O dia amanheceu chuvoso e frio embora o outono estivesse apenas começando. Desde que deixara a vida na caserna o coronel questionava-se seguidamente sobre o que fizera de sua vida. Ao ler tantas notícias de seqüestros e mortes, lembrava que sua vida fora destinada à arte de matar. Era um voraz devorador de livros, principalmente dedicados a vida militar. Lili levantou ainda sonolenta e dirigiu-se à cozinha para tomar um copo de leite gelado. Passou por seu pai arriscando um
– Bom dia pai! Embora estivesse acostumada a resposta.
– Humm? Respondeu como de hábito o coronel, sem levantar os olhos do jornal. Ao ver a hora no grande relógio sobre a geladeira, Lili resmungou.
– Droga! Seis e meia, eu vou é dormir de novo. Tomou um copo de leite e voltou para seu quarto. O telefone tocou e somente lá pela sétima chamada Mathias se deu conta. Lili já vinha de seu quarto para atender parando na escada ao observar o Coronel que lentamente levava o fone ao ouvido.
– Alô?
– Estamos com sua filha! Disse uma voz distorcida eletronicamente do outro lado.
– E daí? Resmungou o coronel.
–Você não entendeu. Isto é um seqüestro.
– E o que vocês querem?
– Cinqüenta mil. Respondeu a voz.
– Hora! Seu canalha, você está brincando. Então, você acha que minha filha vale só cinqüenta mil?
– Bem! Se o senhor quiser pagar mais, não temos objeções.
– Seu pilantra, você tem uma arma?
– Claro!
– Então use. Bolas mate logo e me deixe ler os meus jornais. 
– Cara não estamos brincando! Quer falar com ela?
– Não! Respondeu o coronel.
Uma voz feminina do outro lado gritou.
– Pai, por favor! Ouviu-se a seguir um grito e o estampido de um disparo.
– Foi você quem quis! Falou a voz desligando.
– O que aconteceu? Perguntou Lili descendo a escada.
– Eram seqüestradores, disseram que haviam seqüestrado você! – Pai! O que você fez?
– Hora, é claro que era um trote.
– Pai! A Nancy! Ela é a minha cara, somos tão parecidas que os professores nos confundem e se não for um trote?
– Santo deus! Você acha que eles a pegaram pensando que era você?
– É possível. E agora? Você pode ter decretado a morte da minha melhor amiga.
– O que vamos fazer?
– Primeiro vou ligar pra ela! Dizendo isso Lili correu para seu quarto apanhou o celular e ligou. O coronel parado junto à porta tinha um ar bastante preocupado.
– Não responde! Meu deus! Temo pelo pior. Vou para casa dela. Dizendo isso Lili vestiu-se rapidamente e saiu!
– Vou com você! Falou o coronel.
– Nada disso! Que tal falar com a polícia?
– Boa Idéia, vou ligar para o Castro. Lili chegou à casa dos pais de Nancy e aflita tocou a campainha. A mãe dela atendeu.
– Você a esta hora, algo grave deve ter acontecido. Lili narrou os acontecimentos ao que a velha respondeu.
 – Nancy não aparece desde ontem, mas isso é normal. Às vezes fica com os amigos e volta 3 u 4 dias depois.
– Dona Marta, é grave! O telefone dela não atende! Vou ligar para o Roberto, ele é mais chegado a ela e deve saber de alguma coisa. Roberto afirmou que não a via a mais de 3 dias. Lili tentou outros amigos em comum, mas ninguém sabia de nada.
             A situação estava ficando complicada. Nancy havia simplesmente evaporado.
O inspetor Castro, mal acabara de sentar-se à sua mesa quando o telefone tocou. O Coronel Mathias bastante nervoso contou-lhe o que havia acontecido.
– Mathias, se você não tem um identificador instalado, não tem como identificar o telefone. Até o momento não temos nenhuma ocorrência a respeito. O jeito é esperar, pode ser um destes golpes aleatórios. Vai ver que a tal Nancy aparece logo. Vou mandar um agente à casa dos familiares apanhar umas fotos e vou determinar uma busca. Mal havia deitado o fone no gancho quando Júlio entrou com o BO. Haviam localizado um corpo junto a um matagal próximo a praia do Lami. O inspetor Castro dirigiu-se ao local acompanhado por Júlio e demais membros da equipe técnica. Uma moça esfaqueada com vários cortes profundos, semi-despida estava caída de bruços numa poça de sangue. Um Corsa com as portas abertas estava junto ao local.
Um exame superficial indicava ao inspetor que o crime ocorrera ali mesmo. Manchas de sangue no carro sugeriam que ela havia sido agredida ainda dentro do veículo.
– Ela conhecia o assassino. Talvez um namorado. Comentou Castro.
– Júlio verifique a agenda no celular. Precisamos convocar todos os conhecidos ou contatos dela. Dito isso o inspetor ligou para o coronel Mathias.
– Mathias, tenho péssimas notícias. Acabamos de encontrar o corpo. Não precisa procurar mais por Nancy. Mas pode ficar tranqüilo, ela foi morta a facadas. Não há vestígio de arma de fogo.
– Inspetor! Mas e o disparo que ouvi?
– Pode ser um golpe, temos que investigar. Não sabemos ainda se tem ligação com o crime. Parece que a moça tinha muitos amigos. Uma agenda lotada. Agora vamos tomar os depoimentos e a fila é grande.
            Mathias ficou mais tranqüilo, mas aquele disparo o incomodava. Quem afinal teria morrido?
Lili estava inconsolável com a morte da amiga. As duas eram colegas de faculdade e Nancy tinha realmente muitos amigos e namorados com quem saia frequentemente. Será que o assassino era alguém do grupo? Só as investigações da polícia poderiam agora resolver o mistério. Castro chegou em casa após o expediente e após um banho fez um lanche e foi para sua  biblioteca onde tinha o computador instalado. Costumava trabalhar até tarde quando tinha um caso complicado e a muito serviços como o Orkut e mapas da internet passaram a ser ferramentas úteis. Não tardou a localizar a página de Nancy no Orkut. Realmente a garota parecia sair com metade da cidade. Mas um tal Roberto parecia ser o mais freqüente pelas mensagens constantes que trocavam. Castro imprimiu a lista de nomes e mandou um e-mail para o escritório. Precisava conferir com a lista de depoentes convocados. A autópsia revelou que Nancy havia praticado sexo pouco antes de ser morta na véspera do dia em que o coronel Mathias recebera o telefonema. Teria morrido entre 18 e 19 horas. Castro ordenou a coleta de material para exames de DNA de todos os suspeitos. Haviam na verdade 18 suspeitos que não tinham sustentado um álibi concreto.
– Esta juventude parece desligada mesmo. A maioria nem sabe o que estava fazendo, muito menos dizer onde estava na hora do crime. Resmungou Castro falando sozinho. Os exames consumiriam uma semana até que pudessem ter o DNA comparado com as amostras de esperma colhidas na cena do crime. Castro costumava fazer suas próprias diligências e não tinha hora para isso. Pouco se importava se fosse ou não horário de expediente.
Roberto Moratti pareceu meio nervoso ao ser inquirido pelo inspetor. Afirmou que na hora do crime estava em companhia de Luci, uma loura sardenta que confirmou embora parecesse também nervosa. Falava procurando desviar o olhar do inspetor. Durante a entrevista com Roberto o inspetor repentinamente falou.
– Você está com seu celular?
 – Porque pergunta inspetor? Respondeu Moratti.
– Rotina policial, posso dar uma olhada?
– Claro, respondeu Roberto alcançando o celular.
–Você namorava Nancy? Perguntou o inspetor enquanto examinava o aparelho.
– Hora inspetor eu saia com ela, mas não era nada sério. Você entende?
– Sim, respondeu castro. Aparelho interessante, tem mp3, internet, rádio FM. Nem sei usar isso, falou devolvendo o aparelho à Moratti. Porque matou Nancy?
– Inspetor que papo é esse?
– Vamos lá! Se você confessar, isso será ponto a favor.
– Inspetor! Eu não matei a Luci!
– Matou sim! Agora apenas me diga, porque ligou para o Coronel Mathias simulando um seqüestro de sua filha. Aliás, a cúmplice Luci foi brilhante. Daria uma boa atriz. Além disso as provas de DNA o colocarão na cena do crime. Luci abriu o bico e contou tudo.
– Aquela desgraçada me paga.
– Júlio! Falou o inspetor. Providencie uma ordem de prisão. Júlio obedeceu, imaginando que o inspetor utilizara mais uma vez de um de seus truques. Mais tarde comentou.
– Inspetor! A Luci não falou nada.
– Sim! Mas ele não sabia.
– Ok! Falou Castro dirigindo-se à Moratti. Agora conte porque a matou e porque simulou o seqüestro. Foi porque você não usou preservativo? Moratti baixou a cabeça e começou a chorar, Foi. Ela ficou muito brava quando se deu conta de que eu não estava usando preservativo e então eu a matei. Ela tinha 18 anos e uma gravidez seria um desastre.
– Sim respondeu o inspetor. E aí você precisava de dinheiro para fugir e então usou Luci para simular a vítima, só não contou com a possibilidade de ela estar em casa? Como obteve o número do Coronel?
– Eu havia dias antes ligado para Lili a pedido de Nancy. Inspetor, como sabe tudo isso?
– Hora! Você nem se deu ao trabalho de apagar as ligações feitas de seu celular.
Dias depois Lili chegou em casa após as aulas e seu pai estava no jardim cuidando de umas roseiras.
– Pai!Tem um cara com cara de macaco me seguindo o tempo todo.
– Humm! Eu sei. Aquele é seu segurança.
– Meu segurança? Você pirou?
– É só precaução! Depois que aconteceu tudo isso com sua amiga é melhor tomar cuidado. Por falar nisso você ainda namora aquele cara do bigodinho?
– Não pai! Aquele já era.
– Ok! Do próximo eu quero a ficha completa até do bisavô!
– Credo pai! Não exagera!
– Humm?

FIM

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

OLHA QUE PEIXE BONITO

Parece com alguém que você conhece?
O blobfish, ou o peixe mais feio do mundo, é raramente encontrado vivo. Habitante das águas profundas do mar da Austrália e Tasmânia, tem consistência gelatinosa e densidade levemente menor que a da água, assim é quase levado por ela e usa pouco seus músculos flácidos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

SAPATOS PARA CINDERELA


Lauro Winck

Aos 40 anos, com uma carreira bem sucedida como ator, tendo participado de vários filmes e novelas, ele nem pensava em casar. A vida de ator jogava em seus braços mais belas mulheres do que poderia sonhar. Talvez pelos beijos cenográficos com dezenas de coadjuvantes mais os casos que mantinha com suas parceiras nos filmes e novelas, mais as fãs que o assediavam e que ele aproveitava, ele não havia até o momento pensado em uma companheira. Às vezes sentia falta disso, mas surgia sempre uma nova aventura e a vida continuava.
Era verão, resolveu tirar umas férias. Escolheu uma praia tranqüila e pouco movimentada. Queria ficar em paz, dar um tempo e repensar alguns detalhes de sua atribulada vida. Saiu de madrugada, desligou o celular e sumiu sem deixar vestígios. Alugou uma casa mobiliada pequena e simples, numa pequena praia não muito longe do centro, mas afastada o suficiente para permitir uma certa privacidade. Chegou ao local já era quase noite, ligou a televisão e não se falava noutra coisa Era dado como desaparecido, seqüestrado ou morto como já haviam noticiado. Riu da situação, respirou o puro ar que vinha do mar e saiu para andar na areia enterrando os pés e revolvendo-a com os dedos. Fazia muito tempo que queria fazer algo assim. Naquela noite dormiu como há muito não o fazia.
Na manhã seguinte não haveria correria para a gravação nem o assédio de fãs ou da imprensa. Acordou já tarde, pelo menos o sol já estava alto. Nem olhou para o relógio que havia tirado do pulso propositalmente. Deveriam ser quase 11 horas da manhã. Sentiu fome, pegou o carro e foi à procura de algo para comer. De óculos escuros, barba por fazer, isso o desviaria das fãs, era o que esperava. Almoçou tranquilamente em uma lanchonete, comida caseira simples, mas muito saborosa. Ficou satisfeito por não ter sido até então reconhecido. À tardinha resolveu colocar um calção de banho e foi andar pela praia, a água estava fria e ele preferiu andar. Seguiu até as pedras junto aos altos barrancos escarpados que margeavam a praia. O local era aprazível e não havia ninguém por ali. Mas repentinamente o som de soluços abafados chegaram à seus ouvidos, alguém estava chorando. Ele andou vagarosamente, era um choro de mulher, logo viu a silueta desenhada contra o sol do entardecer. Era uma menina. Uma bela garota, vestida com uma roupinha simples e calçando sandália de tiras. Ele aproximou-se quase sem ser percebido.
– Moça! Porque está chorando? Posso ajudar?
– Pode não!
– O que você tem? Está doente?
– Não tenho nada... só queria..
– Ok! Pare de chorar, quem sabe posso te ajudar.
– Eu só queria... um sapato!
– Um sapato? Mas isso é tão importante?
– É sim! Eu nunca tive um sapato bonito, só essa porcaria de sandália. Ela virou-se, os grandes olhos úmidos de lágrimas, fizeram com que ele sentisse um aperto no peito.
 – Ok! Não chore! Vamos fazer o seguinte! Vamos comprar os sapatos pra você, está bem?
– Você quer comprar os sapatos pra mim? Por quê?
– Porque não posso ver uma garota bonita como você chorando!
– Só por isso?
– E também, porque eu também fui muito pobre. Só pude usar um sapato bom quando pude comprar e isso levou muito tempo. Ela limpou as lágrimas com as costas das mãos.
– Você não vai querer nada em troca? Ele percebeu o olhar e a dúvida na pergunta maliciosa.
– Só um sorriso! Assim está bom?
– Ta bom!
– Então venha comigo. Você mora por aqui?
– Sim, meu pai é pescador, mas o dinheiro não dá pra nada.
– Você estuda?
– Sim! Com muita dificuldade, a escola é longe, não tem ônibus.
– Que idade você tem?
– Fiz 18 mês passado.
– Sério? Você me parece mais jovem.
– Sou não! Sabe a vida aqui é muito difícil, eu só queria ir na festa de fim de ano da escola,com um sapato no pé e uma roupa um pouco melhor.
– Está bem, vamos dar um jeito nisso. Mas me diga seu nome.
– Me chamo Aline e o seu?
– Delago, me chame de Delago.
– Nome esquisito, mas é bonito.
Andaram devagar pela beira da praia e ele sentia-se como um garoto ao lado da primeira namorada. À medida que andavam ele observava sua beleza e as lágrimas agora davam lugar à um ar de felicidade. Ela estava prestes a realizar um sonho. E ele ia realizar este sonho. Pela primeira vez ele sentia que estava fazendo algo importante.  O local tinha algumas lojas de roupas e caçados e ele não mediu despesa. Diante dos olhares maliciosos das balconistas ele comprou e vestiu a garota com o que a loja tinha de melhor.
– Você está linda! Agora quero o sorriso que me prometeu. Ela sorriu e o sorriso estampado na face a fazia ainda mais bonita.
– Ta certo! Mas tem um problema, o que vou dizer em casa? Falou a garota com ar preocupado.
– Não se preocupe! Falou uma das balconistas, vou com você até sua casa.
Ela saltou e o agarrou pelo pescoço e beijou sua face.
– Obrigada! Eu nem sei o que dizer.
– Não diga nada. Apenas sorria, isso me basta.
– Você mora onde?
– É perto daqui.
– Está bem.
A balconista e a garota saíram e ele tomou o caminho de casa. Enquanto dirigia pensava na garota. Será que estava apaixonado? Agora? Por uma garota que tinha menos que a metade da sua idade? Tinha que tirar isso da cabeça, mas não conseguia, quanto mais tentava mais pensava na garota. Chegou em casa e abriu um litro de wiskey. Sentou-se junto à porta da varanda e sorvia a bebida. Havia algo naquela garota que o estava perturbando. Já havia tido tantas mulheres que não se lembraria de 10 por cento de seus nomes, mas nenhuma havia sido capaz de mexer tão fortemente com seus sentimentos. Ficou ali pensando e sonhando fantasias até que anoiteceu e decidiu comer alguma coisa e dormir. Estava preparando-se para deitar quando bateram à porta insistente mente. O choro inconfundível de Aline misturava-se com as batidas frenéticas e ele apressou-se em abrir a porta.
– O que houve? Perguntou aflito.
– Meu pai! Ele me bateu.  Na claridade da luz, pode então perceber marcas avermelhadas no rosto da garota. Ela trazia o pacote com as roupas e os sapatos. Estava tudo amassado e embrulhado.
– Calma! Sente-se e me conte. Espere seu rosto está inchado, vou fazer um curativo.
– Não é nada, isso passa logo. Respondeu a garota. – Meu pai estava bêbado e me bateu e mandou eu devolver o que você me deu. Disse que não sou prostituta pra aceitar presentes de estranhos.
– Sim! Mas ele não pode bater em você! Vamos chamar a polícia.
– Não faça isso! Eles o prendem e minha mãe e meus irmãos dependem dele. Deixe como está, mas eu não quero voltar pra casa. Me tire daqui, me leve com você, eu não quero mais vê-lo.
– Calma! Vamos então pensar no que fazer. Você tem um namorado?
– Não! O Nico sempre me persegue quer ficar comigo e me ameaça. Já saí com outros rapazes, mas nenhum me atrai o suficiente. Além disso, desde que vi você hoje, eu estou sentindo alguma coisa que jamais senti.
– Mas, veja! Sou 22 anos mais velho e...
– E daí? Interrompeu Aline. – Minha mãe também é 35 anos mais moça que meu pai. Ela casou com 16 anos.
– Bem! Confesso que também estou sentindo algo diferente desde que nos conhecemos.  Você tem alguém mais por aqui?
– Sim! Minha tia.
– Ok! Prepare-se para dormir, você dorme na minha cama. Eu durmo no sofá. Amanhã preciso fazer algumas coisas. Vou deixá-la com sua tia e a apanho mais tarde. Vamos fazer a coisa certa. Está bem?
– Vai me beijar pelo menos?
– Claro estou ansioso para fazer isso. Eles então beijaram-se ardorosamente e Delago sentiu que estava realmente apaixonado.  Ela correspondeu apaixonadamente e procurava já soltar os botões de sua camisa. Ele suavemente reagiu.
– Espere! Vamos fazer direito lembra? Você tem documentos? Ela levou a mão ao bolso do short e tirou a carteira de identidade parecendo preocupada. Ele examinou o documento.
– Espere! você ainda não tem 18 anos, falta dizer que ainda é virgem.  Ela enrubesceu e retrucou.
– Sim! Sou.
– Isto significa que teremos problemas. Mas você disse que tinha saído com outros rapazes.
– Sim, mas foi só ficar! Meu pai mataria se soubesse que... entende?
– Sim! Vamos sair daqui e casar, se é o que você quer.
– É tudo o que sonhei! Claro que quero!
Naquela noite nenhum dos dois conseguiu dormir, passaram a noite alternando entre cochilos e horas pensando e sonhando um com o outro. Na manhã seguinte ele a deixou em casa da tia e foi para o centro, precisava passar no banco e finalmente ligou o celular. Precisava falar com sua irmã. Tinha agora um problemão, estava apaixonado por uma garota de 17 anos e não sabia ainda o que fazer. Natalia saberia aconselhar. O problema maior, seria lidar com a família da garota. Era já quase meio dia, passou na lanchonete e pegou duas embalagens com o almoço. Dirigiu-se para casa da tia de Aline. Ela abriu a porta sem conseguir disfarçar um ar de preocupação.
– Senhor Delago, a Aline foi com uma amiga até a casa dela apanhar algo que havia emprestado a até agora não voltou.
A mulher deu a Delago o endereço da amiga e ele rumou para o local. Nenhuma das dias havia aparecido. Ele ficou preocupado e resolveu dirigir até a praia. Estacionou o carro próximo ao local onde encontrara a garota e resolveu sair a pé. Contornando as pedras ao chegar ao local onde a havia encontrado soltou um grito de horror.
– Não! Não pode ser, meu deus! Não pode ser!
Aline estava deitada de bruços sobre uma poça de sangue, suas roupas estavam rasgadas o rosto irreconhecível, completamente desfigurado. O quadro era aterrador. Aline estava morta. Então levantando os olhos, percebeu um rapaz chorando sentado sobre uma pedra, com as mãos trêmulas que seguravam o revolver
apontado para a boca.
– Seu desgraçado! O que você fez?
Ao perceber que Delago avançava em sua direção ele puxou o gatilho. O corpo rolou e sangue e pedaços do cérebro espirraram sobre a parede da pedra. Delago sentiu as pernas trêmulas, quase não conseguia manter-se de pé. Como um autômato ligou para a polícia. A tragédia abalou a pequena comunidade e extremamente cansado sem sequer ter almoçado ele finalmente foi para casa, depois dos interrogatórios e da remoção do corpo para o instituto legal, reconhecimento do corpo e encaminhamento para a autópsia. Já era noite e ele deixou-se cair sobe o sofá.
Dormiu profundamente e acordou já de madrugada. Resolveu tomar um banho e ao entrar no quarto, uma visão impossível o deixou completamente alucinado. Deitada sobre a cama, Aline dormia tranquilamente.
– Aline! Não pode ser, é você?
– Claro! Quem esperava que fosse?
– Como é possível!
– Simples, eu voltei à casa de minha tia, você não apareceu aí eu vim para cá. Você estava dormindo no sofá, eu tomei um banho, comi um sanduíche e dormi.
– Está bem! Levante, arrume suas coisas, nós vamos embora agora. Enquanto você se arruma eu vou tomar um banho.
Ele foi para o banheiro deixou a água jorrar enquanto seu raciocínio dava voltas.
 – Então foi um pesadelo! Eu ando cansado, devo ter dormido demais. Foi um pesadelo, graças a deus, ela está viva, minha cinderela está viva. Saiu do banheiro e olhou no quarto, ela não estava, resolveu chamar, nada. Saiu pela porta da varanda que estava aberta. Ela vinha em sua direção, a saia esvoaçando contra o vento. Ele suspirou aliviado.
– Fui dar uma última olhada para o mar. É a única coisa que vai deixar saudade.
Prepararam rapidamente as bagagens e partiram.
 – Minha cinderela, nós vamos casar, você vai estudar e vamos fazer um teste, talvez você possa ainda ser uma grande atriz. Ela o beijou, mais uma vez apaixonadamente. Repentinamente gritou.
– Cuidado! Vamos bater.
Ele acordou com a lanterna do guarda rodoviário ferindo-lhe os olhos.
– Senhor, sua habilitação e os documentos do carro.
Ele moveu-se e a dor no ombro era intensa, seus olhos buscavam aflitos por Aline no banco a sua direita. Estava vazio.
 – Seu guarda, onde está a moça que estava comigo?
– Moça? Não! O senhor estava só, não há ninguém.
– Não pode ser! Ela estava comigo.
– Senhor, o senhor não está bem. A ambulância já está vindo, o senhor será levado ao hospital. O senhor vinha dirigindo em ziguezague perigosamente e nós o seguimos, então perdeu o controle e bateu. O senhor será multado por direção perigosa e terá o veículo aprendido.
Finalmente depois de medicado e dormir várias horas ele acordou. Então a realidade surgiu em sua mente com toda sua cruel exatidão.
– Então não foi sonho! Isto é! A morte de Aline foi real, o sonho foi a visão que tive dela na cama e tudo o que aconteceu, faz parte do sonho. Eu estava dirigindo, como um sonâmbulo, é isso. Minha cinderela está morta.
Ele saiu dois dias depois do hospital, havia fraturado uma costela e sofrera duas cirurgias. Voltou a casa que ele ainda não havia entregue. Chegando ao quarto a primeira coisa que viu foi o par de sapatos. Ele os apanhou e foi procurar um artesão local. Mandou fazer um escultura de bronze dos objetos e colocá-la sobre a sepultura dela. Dias mais tarde então criou coragem e decidiu despedir-se de Aline. Foi ao cemitério. O artesão fizera um bom trabalho. Colocou flores dentro dos sapatos.
– Minha cinderela, onde quer que você esteja, quero que saiba que você foi o único e verdadeiro amor de minha vida e que nenhuma outra será capaz de substituir.  Os sapatos serão o símbolo eterno do nosso amor, do sonho de uma garota que apenas queria um par de sapatos. Eu fiz tudo errado. Me perdoe. Eu não estava preparado para lidar com os sonhos de uma garota pobre, eu devia tê-la colocado no carro naquela noite mesmo, e saído para uma vida nova, louca, como só a juventude de hoje sabe viver, longe de tudo e de todos. Espero que você esteja num lugar lindo onde irá me esperar. Eu vou mergulhar no trabalho, dizem que assim o tempo passa rápido e logo estaremos juntos. Adeus.
FIM